Como diz a Bíblia, no sexto dia Deus criou o homem. E, após uma exaustiva semana criando o planeta, no sétimo dia, Deus descansou com justiça. Talvez tenha sido aí que começaram a achar que Deus era brasileiro: deixou pra fazer o homem de última hora. E por isso ele acabou não nascendo perfeito como era esperado.
Explico: nós não íamos nascer com pêlos. Foi apenas um descuido de quem passou o sétimo dia inteiro descansando sem reparar que essa porcaria crescia na gente. Só pode ser. Afinal, qual a função do pêlo nas nossas vidas?
A menos que seja ator da novela das sete (Pasquim, Martins), ninguém gosta de ostentar pêlos. Não agrada na estética, muito menos na funcionalidade. Literalmente, só servem pra encher o saco. É uma espécie de raiz que não pára de brotar em você: perna, barriga, peito, rosto e, na maior sacanagem divina de todas, no ouvido. Tanto não tem função que a mulherada não tem barba e nem pêlo no peito e todo mundo está feliz da vida assim.
Fazer a barba, raspar o peito, depilar as costas. Está cheio de gente fazendo isso. Viu pêlo, saca fora. Então por que ter em nosso corpo algo que a gente passa a vida inteira tirando? Ninguém sente vontade de tirar um dedo da mão, por exemplo. E olha que a gente tem 10. Dou a importância a cada um deles. Mas pêlo, não. Quem gosta de pêlo é depilador.
Antes que apareçam aqui os especialistas explicando a função, já me defendo. Só vou concordar que pêlo protege do frio no dia que encontrar o Tony Ramos andando sem camisa em Gramado. Ou a Cláudia Ohana fazendo ensaio pra Playboy em cima de um iceberg.
E unha então? Deus criou o ser humano dotado de uma “arma” que dilacera, corta, arrebenta e rasga para, no fim das contas, ver as pessoas pintando com esmalte. Antigamente o homem usava as unhas para lutar, hoje é para abrir lata de extrato de tomate.
O pior de tudo é que quando o homem faz as unhas e arranca os pêlos fica com a masculinidade questionada. Quer dizer, a menos que use as unhas para arrancar os pêlos.